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quarta-feira, 28 de março de 2012

Ademilde Fonseca - Antologia da rainha do chorinho

Ademilde Fonseca é apontada como a artista responsável pela criação do choro cantado

A cultura brasileira ainda nem se recuperou da morte do Chico Anísio na última sexta-feira, 23 de março, e contabilizou na noite de ontem, 27 de março, mais duas baixas, ambas em Ipanema, na zona sul do Rio: a do escritor carioca Millôr Fernandes, às 21h00, e da cantora Ademilde Fonseca, a rainha do chorinho, às 23h00. Millôr teve falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca. Tinha dois filhos e um neto. De acordo com sua certidão, Millôr nasceu no dia 27 de maio de 1924, embora ele dissesse que a data correta era 16 de agosto do ano anterior. Ademilde, aos 91 anos, sofreu um mal súbito em casa, e sua morte surpreendeu a família. No último fim de semana, fez shows em Porto Alegre e, na véspera de sua morte, gravou dois programas para a Globo News.

Apesar da brilhante carreira, Ademilde não tinha o prestígio que sua obra merece. Acho que muita gente nem a conhece. Uma das relíquias que tenho herdada dos meus pais é um disco dela de 78 RPM: "Tico-tico no fubá", de um lado, e "Voltei pro morro", do outro. Foi o primeiro disco da Ademilde, lançado em 1942 e comprado pelo meu pai - na época solteiro e com 20 anos. Por conta deste disco, que acompanhou a "mobília" do meu pai após o casamento, posso dizer que Ademilde está presente na minha vida desde quando me conheço por gente. Adoro ouvir "Tico-tico no fubá" até hoje.

Ademilde nasceu em Pirituba, no município de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Ela é considerada a criadora do choro cantado e também foi a primeira cantora nordestina a encantar o país com esse gênero. Fez muito sucesso na época de ouro do rádio. Trabalhou por mais de dez anos na extinta TV Tupi e gravou vários discos de 78 RPM nos anos 1940 e 1950, além de compactos e LPs a partir dos anos 1960. Ademilde deixa uma filha, a também cantora Eimar Fonseca, três netas e quatro bisnetos, e um espaço difícil de ser preenchido na MPB.

Decidi homenageá-la com esta coletânea. A foto que ilustra a capa e contracapa é de Jefferson Dias, um dos participantes da exposição fotográfica Pioneiras, que focaliza 13 artistas de diferentes gêneros musicais que foram pioneiras em assumir o palco como meio de expressão pessoal e artística entre os anos 1940 e início dos anos 1960. Ademilde Fonseca - na foto abaixo - é uma delas. Vale a pena conferir o site da exposição e ler o texto do fotógrafo, no qual relata sobre a impressão que a cantora lhe causou durante o ensaio.
Quanto ao repertório desta antologia, o destaque é a faixa bônus "Naquela mesa", gravada ao vivo no programa Época de Ouro, da Rádio Nacional do Rio, no dia 7 de outubro do ano passado. Ela apareceu na emissora para assistir a apresentação da amiga e cantora japonesa Yoshimi Katayama, que aprendeu português para cantar chorinho, e era uma das convidadas do programa. A plateia e a produção do programa foram surpreendidas com a presença da Ademilde no estúdio e pediram uma canja. Ela, com mais de 90 anos e espírito de garota, não perdeu a deixa ao ser apresentada ao ouvinte como "a rainha do choro", e riu de si mesma: "Hoje eu sou a rainha do pigarro". Ela não sabia, mas ao escolher "Naquela mesa", de Sérgio Bittencourt, para cantar, Ademilde se despediu antecipadamente do público, transformando-se agora no lugar vazio da mesa que gera dor e saudade, com diz a música. A apresentação, sem ensaio, e com acompanhamento do grupo Época de Ouro, talvez tenha sido o último registro da Ademilde no palco de uma emissora de rádio, onde um dia reinou absoluta. Confira:

01 - 1975 - Tico tico no fubá - Dinorah
02 - 1979 - Bate e rebate
03 - 1985 - Adeus batucada
04 - 1975 - Choro chorão
05 - 1975 - Brasileirinho
06 - 1985 - Camisa listrada
07 - 1975 - Meu sonho
08 - 1985 - Delicado (com Baby Consuelo)
09 - 1977 - Teco Teco
10 - 1975 - O que vier eu traço
11 - 1975 - Amor sem preconceito
12 - 1985 - Cinema mudo
13 - 1975 - Titulos de nobreza (Ademilde no Choro)
14 - 1975 - Lamento
15 - 1977 - Paraquedista - Urubu malandro
16 - 1975 - Doce melodia
17 - 1975 - Choro do adeus
18 - 1975 - Coração trapaceiro
19 - 2001 - Galo garnizé
20 - 1992 - Rio de Janeiro
21 - 1997 - Dono de ninguém
22 - 2001 - Camundongo
23 - 2001 - Galo garnize - Urubu Malandro
24 - 2002 - Deixa a lua sossegada
25 - 2008 - Fala baixinho (com Yoshimi Katayama)
26 - 2011 - BÔNUS - Naquela mesa (ao vivo na Rádio Nacional - 07/10/2011)

7 comentários:

  1. http://www.mediafire.com/?w40sg1id4w67r91

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  2. oi chico homen eu tinha baixado honten um disco de sera 1951 com a musica delicado da deusa ademilde f.hoje au chegar do trabalho vou dereto teu blog e deparo com essa maravilha e muito,homen valeu-yuri r morrinhos ceara.

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  3. Chico,
    Bela e merecida homenagem, você, presta a esta extraordinária artista brasileira; que, de fato, merecia um reconhecimento bem maior, tendo em vista, sua grande obra musical.
    Ademilde, deveria ter gravado, muito mais; mesmo, com declínio dos famosos programas de rádio; afinal, talento e competência, jamais, lhe faltaram.
    No entanto, a ditadura dos modismos musicais, que, norteiam as grandes gravadoras, aposentaram-na do disco, precocemente, assim como, fizeram com diversas outras intérpretes de sua geração.
    Mas, mesmo assim, ela permaneceu trabalhando com absoluta dignidade, do alto de seus 91 anos, até, o final de sua vida.
    Nesta triste noite, do dia 27 de março, Ademilde Fonseca, deixou a vida na terra, para integrar o cast da emissora celestial; onde, será recebida, como uma fulgurante estrela de primeira grandeza.
    Pena, que, esta sua repentina partida, deixe a terra mais emsombrecida e pobre, de talentos verdadeiros, como o seu.
    Porém, a sua obra permanece, e a sua bonita voz, poderá ser ouvida, através, de seus discos.
    Quanto a sua presença de mulher bonita, vaidosa, perfumada e sempre elegante (ela conservou-se, assim, até o fim), também, ficará indelével em nossos corações saudosos.
    Por tudo isto: Viva o Chorinho! Viva a Música Popular Brasileira ... e Viva eternamente a Rainha Ademilde Fonseca!
    Pois, como costuma dizer, o nosso amado poeta, Luiz Viera: " os bons não morrem, nem envelhecem jamais"
    Parabéns, pelo excelente Blog.
    Atenciosamente,
    Abraços,
    do Paulo Ventura (Niterói - RJ)

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  4. Chico,
    Parabéns, postagem maravilhosa!
    Prezado Chico,
    Sinceramente, não creio, que, nenhuma das gravadoras, por, onde andou, a Ademilde, fizessem uma seleção tão coesa, bonita e emocionante, como esta maravilha, que você fez.
    Obrigado, por nos presentear com esta jóia.
    Também, a capa, está perfeita para a ocasião (a foto é muito expressiva), ao mostrar uma Ademilde, diferente, daquela mulher alegre, e extrovertida de sempre.
    Nesta imagem, ela, parece um tanto melancólica, reflexiva, com o olhar distante ... como a vislumbrar, algo, mais transcendental. Sabe-se lá, o que?
    Mas, foi uma escolha perfeita, para sua homenagem sensível e super merecida, como, já disse o companheiro, aí de "riba".
    Parabéns, também, para o fotógrafo (grande talento!)
    Abraços,
    seu seguidor Zeca Pinheiro (RJ)

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  5. Merecida homenagem,vai nos deixar saudades.Obrigado chico,vc lembrou dela.Parabens...

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  6. Novo link:

    http://www.4shared.com/rar/Ohkz0Mi3/242_-_AF.html

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  7. Pensei que nunca, jamais fosse encontrar tantas coisas boas como acabei de descobrir....
    Parabéns meu nobre Amigo pelo acervo.
    José Guedes Filho
    Ruy Barbosa - Bahia

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